30.01.20

Sociedade Brasileira de Infectologia informa sobre coronavírus

Foto: Divulgação

Médicos da Sociedade Brasileira de Infectologia esclarecem sobre novo vírus

Sociedade Brasileira de Infectologia informa sobre coronavírus

O que são coronavírus?

Os coronavírus (CoV) compõem uma grande família de vírus, conhecidos desde meados da década de 1960, que receberam esse nome devido às espículas na sua superfície, que lembram uma coroa (do latim corona). Podem causar desde um resfriado comum até síndromes respiratórias graves, como a síndrome respiratória aguda grave (SARS, do inglês Severe Acute Respiratory Syndrome) e a síndrome respiratória do Oriente Médio (MERS, do inglês Middle East Respiratory Syndrome). Os vírus foram denominados SARS-CoV e MERS-CoV, respectivamente.


O que é este novo coronavírus?

Trata-se de uma nova variante do coronavírus, denominada 2019-nCoV, até então não identificada, isolada na China em 07/01/2020. O novo coronavírus foi identificado em investigação epidemiológica e laboratorial, após a notificação de uma série de casos de pneumonia de causa desconhecida a partir de 31/12/2019, diagnosticados inicialmente na cidade chinesa de Wuhan, capital da província de Hubei.
Este é o sétimo coronavírus conhecido capaz de infectar humanos, incluindo o SARS-CoV e MERS-CoV.


Qual a origem do surto atual?

A origem ainda não está elucidada. Acredita-se que a fonte primária do vírus seja animal, provavelmente em um mercado de frutos do mar e animais selvagens vivos em Wuhan.
Os coronavírus podem ser transmitidos de animais para humanos? Sim. É possível a transmissão de animais para humanos após mutações, o que se denomina species jumping. Por exemplo, o SARS-CoV e o MERS-CoV surgiram em morcegos, e tiveram como hospedeiros intermediários gatos-de-algália e dromedários, respectivamente, e estes transmitiram aos humanos.


A transmissão do coronavírus acontece entre humanos?

Sim. Alguns coronavírus são capazes de infectar humanos e podem ser transmitidos de pessoa a pessoa pelo ar, por meio de tosse ou espirro, pelo toque ou aperto de mão ou pelo contato com objetos ou superfícies contaminadas, seguido então de contato com a boca, nariz ou olhos. Alguns vírus de transmissão aérea são altamente contagiosos, como o sarampo, enquanto outros são menos. Ainda não está claro com que facilidade o 2019-nCoV é transmitido de pessoa para pessoa.


Há transmissão sustentada do novo coronavírus?

Sim, somente na China, por enquanto, relata-se transmissão sustentada do vírus de pessoa a pessoa.
Os animais de estimação em casa podem disseminar o novo coronavírus? Até o momento, não há evidências que animais de estimação, como cães e gatos, possam ser infectados pelo novo coronavírus. Entretanto, é sempre importante lavar as mãos com água e sabão após contato com os animais.


Qual é o período de incubação do novo coronavírus?

Ainda não há uma informação exata. Presume-se que o tempo de exposição ao vírus e o início dos sintomas varia de 2 a 14 dias, segundo o Centro de Controle de Doenças dos Estados Unidos (CDC). Já a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que este período seja de 2 a 10 dias.


Quais são os sintomas de uma pessoa infectada pelo novo coronavírus?

Os sintomas incluem febre, tosse e dificuldade respiratória. Porém, as pessoas com infecção podem não ter sintoma, ou apresentar um quadro semelhante a um resfriado comum, até casos graves com pneumonia e insuficiência respiratória.
Crianças de baixa idade, pessoas acima de 60 anos e pacientes com condições que comprometem a imunidade podem ter manifestações mais graves.
Recomendamos evitar os termos "nova gripe causada pelo coronavírus" porque gripe é uma infecção respiratória causada pelo vírus influenza.
Qual é a letalidade do novo coronavírus? Devemos acompanhar a evolução da epidemia. Pelos dados oficiais publicados, a estimativa inicial é de que a letalidade seja de 2 a 3%, inferior à do SARS-CoV e do MERS-CoV.
Como é feita a confirmação do diagnóstico do novo coronavírus?

Exames laboratoriais realizados por biologia molecular identificam o material genético do vírus em secreções respiratórias, colhidas por aspiração de nasofaringe ou swabs combinado (nasal/oral) ou também amostra de secreção respiratória inferior (escarro ou lavado traqueal ou lavado bronco alveolar).
Existe um tratamento para o novo coronavírus? Não há um medicamento específico. Indica-se repouso e ingestão de líquidos, além de medidas para aliviar os sintomas, como analgésicos e antitérmicos. Nos casos de maior gravidade com pneumonia e insuficiência respiratória, suplemento de oxigênio e mesmo ventilação mecânica podem ser necessários.

Qual é a orientação diante da detecção de um caso suspeito?

Os casos suspeitos devem ser mantidos em isolamento enquanto houver sinais e sintomas clínicos. Paciente deve utilizar máscara cirúrgica a partir do momento da suspeita e ser mantido preferencialmente em quarto privativo. Qualquer pessoa que entrar no quarto de isolamento, ou entrar em contato com o caso suspeito, deve utilizar equipamentos de proteção individual (preferencial máscara N95, nas exposições por um tempo mais prolongado e procedimentos que gerem aerolização; eventualmente máscara cirúrgica em exposições eventuais de baixo risco; protetor ocular ou protetor de face; luvas; capote/avental). Além disto, todo caso que se enquadre na definição de caso suspeito deve ser notificado por meio de comunicação mais rápido possível (telefônico ou eletrônico), em até 24 horas.


Estão contraindicadas as viagens para a China e para os países com casos importados?

Com as informações atualmente disponíveis para o novo coronavírus, a OMS recomenda que medidas para limitar o risco de exportação ou importação da doença sejam implementadas, sem restrições desnecessárias ao tráfego internacional. Entretanto, o Ministério da Saúde do Brasil e o Centro de Controle de Doenças dos Estados Unidos (CDC) recomendam que viagens para a China devam ser realizadas somente em casos de extrema necessidade, medida sugerida também pela Sociedade Brasileira de Infectologia.

FONTES: Ministério da Saúde do Brasil / ANVISA / Organização Mundial da Saúde (OMS) / Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC).

SOCIEDADE BRASILEIRA DE INFECTOLOGIA
Presidente: Dr. Clóvis Arns da Cunha, Coordenador Científico: Dr. Sérgio Cimerman, Participaram da elaboração deste documento: Dr. Leonardo Weissmann, Dra. Tânia do Socorro Souza Chaves, Dra. Sylvia Lemos Hinrichsen, Dr. Clóvis Arns da Cunha, Dr. Alberto Chebabo, Dr. Sérgio Cimerman e Dra. Nancy Cristina Junqueira Bellei.